"Dear all,
Cheguei a casa no Domingo mesmo contente, a tentar “conservar todos aqueles momentos no coração” e cheia de vontade de manter o meu coração desperto para os outros que Deus me põe no caminho.
Estar à conversa com a Senhora Antónia do Marmeleiro enquanto cozinhávamos uma açorda à moda de Alcoutim, rezar o terço a Nossa Senhora à beira da lareira com as senhoras, andar pelos campos de Alcoutim à procura de ‘poejo’ – especiaria fundamental para fazer açorda – até à conversa ao frio gélido que tivemos com a D. Arminda de Corte da Seda, com um ar sempre tão velhinho e frágil mas sempre tão acolhedora, trabalhadora e senhora das suas coisas. Sim, contado nunca é nada de especial mas viver estas coisas tão simples por Jesus, faz com que cada momento seja especial.
Ao olhar para o fim-de-semana pensei: realmente, o amor gera amor. E só pode ser assim, porque se Deus é Amor e se Deus é criador, o Amor também será criador e de mais Amor suponho J. A bondade com que cada pessoa me acolheu no fim-de-semana desperta-me o coração, comove-me! E penso que também gostava de ser assim: atenta para os outros, dedicada e pronta a acolher.
Dizia MadreTeresa de Calcutá, “Que ninguém saia de ao pé de mim sem se sentir um pouco mais feliz!”. De forma semelhante, o sentimento experienciado pelos discípulos de Emaús quando Jesus vai ao seu encontro é um “arder de coração”, que os leva a insistir para que Jesus permaneça junto deles (“Fica connosco!”).
Tudo isto que leva a pensar que tenho um longo caminho a percorrer… Mas que a vida é uma graça de Deus cheia de oportunidades para me fazer próxima dos outros e viver experiências de profunda alegria e descentralização do “eu”. E fico ainda mais agradecida por pertencer a este grupo que me ajuda a caminhar – com Jesus – para uma vida de santidade.
Mas o tema do meu post é contrastes e isso tem uma razão de ser. É que segunda-feira o meu dia foi diametralmente oposto ao fim-de-semana: andei em correria com trabalho, chatices e ainda tive um voo para apanhar já cheia de stress de última hora. Não tive tempo para saborear o dia!
Acabei por só vir hoje de manhã para Luanda. Aliás, acabo de chegar a Luanda (já é noite). Que contraste. Primeira impressão: pobreza. A segunda: bem, ouvimos um tiro no caminho do aeroporto para casa mas dizem que não é costume … Cheguei à casa onde vou ficar – um luxo comparado com a forma como a maioria das pessoas aqui vive. É realmente difícil lidar com o ter tanto quando há quem tenha tão pouco… E fiquei pensativa a pensar nestes contrates todos com que nos vamos deparando na vida: uns com tanto, outros com tão pouco. Sou mesmo afortunada…
E lembrei-me do que dizia o padre Atalívio noutro dia na missa em Lisboa, citando Sebastião da Gama: “Tens muito para fazer? Não, tens muito para amar!!”.
Por isso, para terminar peço-Te Senhor que nos concedas, em especial neste tempo de advento, a graça da esperança: para que vivamos na certeza de que o Amor é condição suficiente para que o mundo se torne melhor e mais justo."
Rita Rosa, em Luanda, 7 de Dezembro de 2010, 23:36