No domingo, fui com a minha avó visitar uma familiar que tem uma doença em estado terminal. A minha família mais afastada é enorme e por vezes passo um ano inteiro sem ver algumas pessoas. Ela era um desses casos. Tinham-me dito que ela já não falava e, por isso, as minhas expectativas eram nulas para aquela visita. Apenas lhe queria dar um beijinho e levar-lhe um sorriso.
Quando chegamos ao pé dela, a minha avó perguntou-lhe se ela nos conhecia e ela acenou afirmativamente com a cabeça. Já fiquei feliz por isso e não esperava mais nada. O rosto dela era o rosto da fraqueza, mas transmitia muita serenidade, muita paz.
Estivemos lá um pouquinho... e de repente, ela perguntou: 'Então e como está a correr o teu curso? Estás no 3ºano, não é?'. Eu fiquei sem fala. Ela estava numa situação de tão grande sofrimento e não gastou sequer uma palavra com a sua situação. Soube ver para além da sua dor, para se (pre)ocupar com a vida dos outros.
Sorri e disse que estava tudo bem, que estava a gostar muito. Naquele momento, não podia fazer nada senão sentir-me agradecida pela minha vida!
Imediatamente perguntou-me: 'Então e o teu projecto, como foi?'. E fui mais uma vez surprendida. Não estava à espera de nada daquilo.
Respondi-lhe que foi muito bom, que me tinha tocado especialmente a alegria com que as pessoas vivem lá, porque no meio de tão pouco, reconhecem que têm tudo, o essencial: o amor. E nesse momento senti-me ridícula. A quem é que eu estava a dizer isto? Ela sabia-o na perfeição.
Provavelmente não a vou ver mais. Despedi-me com um sorriso. E ela também. Na sua fraqueza, encontrei Deus. Porque à minha frente tinha alguém imensamente forte e inundada de vida.
Bons encontros,
Ana Pedroso
Quando chegamos ao pé dela, a minha avó perguntou-lhe se ela nos conhecia e ela acenou afirmativamente com a cabeça. Já fiquei feliz por isso e não esperava mais nada. O rosto dela era o rosto da fraqueza, mas transmitia muita serenidade, muita paz.
Estivemos lá um pouquinho... e de repente, ela perguntou: 'Então e como está a correr o teu curso? Estás no 3ºano, não é?'. Eu fiquei sem fala. Ela estava numa situação de tão grande sofrimento e não gastou sequer uma palavra com a sua situação. Soube ver para além da sua dor, para se (pre)ocupar com a vida dos outros.
Sorri e disse que estava tudo bem, que estava a gostar muito. Naquele momento, não podia fazer nada senão sentir-me agradecida pela minha vida!
Imediatamente perguntou-me: 'Então e o teu projecto, como foi?'. E fui mais uma vez surprendida. Não estava à espera de nada daquilo.
Respondi-lhe que foi muito bom, que me tinha tocado especialmente a alegria com que as pessoas vivem lá, porque no meio de tão pouco, reconhecem que têm tudo, o essencial: o amor. E nesse momento senti-me ridícula. A quem é que eu estava a dizer isto? Ela sabia-o na perfeição.
Provavelmente não a vou ver mais. Despedi-me com um sorriso. E ela também. Na sua fraqueza, encontrei Deus. Porque à minha frente tinha alguém imensamente forte e inundada de vida.
Bons encontros,
Ana Pedroso
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