domingo, 12 de dezembro de 2010

o sentimento continua!


Aqui está um filme fantástico que nos foi enviado pela Rita Rosa, directamente de Luanda..
Obrigado, Rita! Uma boa viagem de regresso!

8 comentários:

  1. REZAMOS JUNTOS

    MEDITANDO

    A HUMILDADE DE DEUS

    "DE NAZARÉ PODE VIR ALGUMA COISA BOA?"

    De Nazaré, da Galileia, sabemos que veio María...("No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,... Lc1,26)e era uma pessoa única em graça...(Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.Lc 1,28). Parece que a expressão grega "cheia de graça" se refere a uma condição co-natural a Maria: sempre foi assim. Portanto, de Nazaré veio "uma coisa boa".
    Veio também José que ali tinha uma carpintaria... e onde era tido como "Abbá" de Jesus e como um "homem JUSTO" (Mt 1,19), sendo que esta denominação se aplicava aos santos que caminhavam rectamente diante de Deus... Portanto também foi uma "coisa boa" que nos veio de Nazaré.
    Vieram também Tiago de Alfeu e Judas Tadeu. Irmãos de sangue, eram sobrinhos de S. José. S. José e Alfeu eram, parece, irmãos.
    Também veio Maria , mulher de Alfeu e mãe de Tiago e Judas de Alfeu, que acompanhou Nossa Senhora junto da cruz e nas horas mais amargas da Virgem Maria.
    E, por fim, veio Jesus, o Salvador do homem que, sendo, como dizemos no Credo, "Deus verdadeiro de Deus verdadeiro", faz com que de Nazaré tenha vindo o próprio DEUS ao encontro de todo o homem.
    De Nazaré, terra desconhecida e de aparente má fama ("de Nazaré pode vir alguma coisa boa"), de um sítio pobre, sem valor, sem importancia, sem "Glamour"... fez-se passar o próprio Deus do universo.
    A sua primeira casa na terra foi uma gruta onde guardavam animais os tambem mal afamados pastores e, a sua ultima morada foi numa cruz, entre dois bandidos que partilharam sorte com Ele...
    Conclusão: do lugar mais inóspito, antipatico, insuspeitado... pode vir uma coisa boa.
    Da pessoa mais aaparentemente não amaável... pode vir uma coisa boa...
    da situação ou acontecimento mais desgraçado e amargo... pode vir uma coisa boa.
    Eis pois que nunca é tarde para repensar a régua de medir dos nossos afectos, sabedorias, poder, eficacias, suficiencias, exigencias, importancias....
    Na minha terra diz-se entre caçadores: " No campo, nunca nos fiemos... Pois de uma má moita pode sair uma boa lebre".

    A humildade do Céu ... A humildade do céu....!

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  2. REZAMOS JUNTOS
    MEDITANDO

    -COM MARIA E JOSÉ PARA BELÉM-

    Faltavam nove dias para o nascimento do “Príncipe da Paz”. Is 9,5

    O recenseamento era obrigatório. “ E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse
    (Este primeiro recenseamento foi feito sendo Quirino governador da Síria).
    E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
    E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém (porque era da casa e família de David),
    A fim de empadronar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida” Lc 2,1ss

    O recenseamento não esperava. Tinham de ir a Belém, porque José… “ era da casa e família de David,” e “cada um” tinha de ir dar o nome “à sua própria cidade.”
    Que fazer? Maria estava de parto iminente?! A distância era considerável para uma gestante em estado tão adiantado!
    José andava de cá para lá; de lá para cá, pensando em como comunicar a Maria o que tinha ouvido às portas da cidade: Um recenseamento universal decretado pelo imperador César Augusto para todo o império e, Palestina, estava lá.
    - Que tens José? Estás bem? Senta-te um pouco. Aconteceu alguma coisa?
    Maria via-o nervoso e quis ajudar o amado esposo a partilhar a sua preocupação.
    José olhou-a com amor e temor.
    - Maria, tu estás bem, não é verdade? Sentes-te forte…?
    Maria, um pouco a medo respondeu:
    - Sim. Estou bem. Passa-se algo?
    Sabes, Maria, é que, temos de ir imediatamente a Belém.
    - Sim?
    - Sim. Eu explico. Saíu um decreto imperial para que todos se inscrevam com as suas famílias no censo que se está a fazer. Por isso eu tenho de ir à cidade de meus pais para fazer isso e, tu também tens de ir. É uma obrigação que não podemos deixar de cumprir. Mas como podes tu viajar assim?
    Maria, tendo já, muitas vezes meditado no hora do nascimento, não poderia ter deixado de trazer à memória, naquele momento, a profecia de Miqueias:
    “E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade...” (Miquéias 5.2,4-5 – 700 a.C)
    (cont)

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  3. (cont)
    Cento e vinte quilómetros em cima dum burro não era uma ideia nada agradável para José, a propósito de sua esposa. E se acontecia algo? E se no caminho lhe dava para nascer ao Menino…? É certo que a mulher semita, herdeira do nomadismo de seus pais, estava habituada a valer-se por si mesma nas horas de parto, no entanto, Maria era uma jovenzinha de 17 anos, só, sem a ajuda duma familiar…
    Tudo eram dúvidas no coração de José. Mas a lei mandava e o caminho esperava... e Maria e José confiavam.
    Partiram. Não o sabiam, mas aquele abalar era o começo de uma longa ausência de Nazaré. Passar-se-iam uns oito anos até que voltassem à sua simples casinha e ao convívio com os vizinhos de sempre.
    Um Burro. A arreata na mão do peregrino José. Maria acomodada sobre a albarda do burro como podia e a distancia à sua frente.
    O normal é que se juntassem a alguma caravana de peregrinos ou comerciantes que fosse para essas bandas. Assim iam mais a resguardo dos ladrões e salvaguardariam alguma necessidade mais urgente.
    - Maria, um pouco mais e procuraremos descanso nessa casa que se vê ao longe. Além disso está chegando o fim do dia.
    - Sim, José. É bom descansarmos um pouco. Tens andado todo o dia sem descanso.
    - Isso não importa, tu é que deves descansar. Ali encontraremos alguém que te dê um pouco de leite e mel. Vi muitas ovelhas por aí.
    - Bem, José. Obrigada.
    A hospitalidade era uma regra de ouro entre os hebreus…: “2Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.” Hb 13,2. José e Maria sabiam que podiam contar com isso… É certo, essa confiança falhou no ultimo momento.
    Porém, agora, tratava-se de ir. Deus era "o agora" e isso era o que lhes importava.
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  4. (cont)

    - Faltam cinco dias para chegarmos, Maria. Hoje haverá um dia cheio de sol. Parece que o astro rei quer que nos alegremos, como se nos falasse de algo maravilhoso.
    Maria sorri e pensa, com a mente distante…. Depois acrescenta:
    - José, uma mulher da caravana trouxe-nos estes ovos esta manhã, enquanto preparavas o burrico. Preocupou-se comigo e disse-me que contasse com ela para o que fosse preciso. Agradeci-lhe e disse-lhe que me encontrava muito bem. E assim é. Parece que sinto esta aurora radiosa de hoje dentro de mim, José.
    José olhou-a e, como sempre ficava, contemplou a cândida e amada esposa que, como um lírio fresco, tinha o cuidado de não que nada lhe faltasse. Sem deixar de preocupar-se ajudou-a a montar no pequeno asno, aproximando-o duma pedra grande, dizendo:
    - Alguns já caminham. Vamos!
    Aos poucos outros incorporavam-se ao grupo saindo detrás das árvores ou arrimos naturais de entre as rochas. Outros começavam a entoar salmos de viagem:

    “1Aleluia!
    Louvai o nome do SENHOR;
    servos do SENHOR, louvai-o,
    2vós que estais no templo do SENHOR,
    nos átrios da casa do nosso Deus.
    3Louvai o SENHOR, porque Ele é bom;
    cantai ao seu nome, porque é amável.
    4O SENHOR escolheu para si Jacob,
    e Israel, para seu domínio preferido.
    5Eu sei que o SENHOR é grande;
    o nosso Deus é maior que todos os deuses. “ Sl 135

    Maria e José despediram-se dos seus hospedeiros, agradecendo a atenção e seguiram com os demais…
    (cont)

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  5. (cont)
    Ia alto o sol. Estavam a quatro dias de Belém. José sentia-se forte. Estava alegre. Algo dentro dele lhe dizia que tudo estava bem. No entanto, o que via era para não ter tais ânimos. Maria balouçava no burrinho havia cinco dias e isso não era nada do seu agrado. O Mistério, o “Filho do Altíssimo” estava em Maria e ele não sabia se cada passo que dava era o conveniente, o certo, o seguro. Falaram, ele e Maria, abundantemente, da situação antes e durante a viagem e não viam no recenseamento de César senão uma intervenção do Alto para que a profecia se realizasse:
    “E tu Belém Efrata… de ti sairá Aquele…”
    “Deus assina muitas das suas obras com um pseudónimo chamado acaso”.
    José e Maria estavam totalmente abandonados à fé. Eram peregrinos da fé.
    Num dado momento, Maria exclama, como quem pensa alto:
    - José, creio que estamos a entrar na Samaria.
    Maria tinha diante de si a historia do seu povo, os filhos de Jacob, as tribos e de como o Prometido já estava ali, passeando-se pela Terra Prometida , dando começo e realização à profecia de Isaias: ….”o seu nome será Emanuel; que quer dizer: Deus connosco…”
    A inimizade entre Samaria e a Judeia era mais que conhecida (“9Disse-lhe então a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» É que os judeus não se dão bem com os samaritanos.” Jo 4,9), Maria pensava no seu povo. Pensava na promessa: “…Ele salvará o povo dos seus pecados” Mt 1,21 Pensava que pouco faltava para que tudo começasse…… Poucos dias… A espada -Lc 2,35- de dor aproximava o seu fio agudo do seu coração:
    - Fiat! Fiat! Fiat!
    Dizia em silencio a sua alma, ao Espírito a quem se entregara…
    (cont)

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  6. (cont)

    A noite chegou cedo. O ar soprava frio vindo do lado do alto Hebrom. Hoje não havia maneira de encontrar sitio para pernoitar. Talvez alguma choça de pastores ou alcantilado do caminho oferecesse abrigo aos peregrinos. José ia preocupado com Maria. Tocando-lhe nos pés que pendiam do burrito, soltou um “oh!” e tirou de imediato a capa dos seus ombros:
    - Maria, mas tu estás gelada! Anda, agasalha-te melhor e deixa que te envolva melhor os pés. Isto não pode ser! Logo que paremos faço um bom fogo e aquecemo-nos bem.
    - José, eu estou bem. Faz frio, mas eu nem o sinto. Aliás, como vês eu já venho bastante enrolada com as duas mantas que me deste esta manhã. Respondeu Maria com cortesia e amor agradecido.
    - Está bem, mas tu não podes apanhar muito frio. Até porque nós não sabemos quando….quando…
    Bem, bem… Olha ali está um bom abrigo entre aqueles penhascos. Ficamos aqui e arrumamo-nos antes que se faça noite.
    Depois de uma curva da estrada que descia para um pequeno vale entre rochas desfiguradas, os peregrinos iam buscando, cada qual, o sitio mais aconchegado.
    - Não estamos longe de Jerusalém, Maria. Amanhã passaremos por ali, por isso anima-te e tratemos de repousar o melhor que podamos.Dizia José enquanto tratava de fazer uma pequena tenta com uns gravetos e uma lona contra a rocha.
    - Sim José.
    Maria mantinha-se numa calma estranha, contemplativa, expectante, quase se diria, feliz. Quem sabe se no seu coração não soavam aquelas palavras de Isaias que cantavam a promessa e que valem para todos os tempos…
    “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” Is 52,7
    Nessa noite Maria dormiria pouco… antes do alvorecer já o seu coração estaria em vela. O esperar far-se-ia cada vez mais atento, vivo, alerta, orante. A sua grande ocupação seria estar em comunhão com o Eterno… em oração. Quanto tempo faltaria?
    Era menester confiar-se.
    Fia-te! Fia-te! Fia-te!

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  7. (cont.)

    Cântico das peregrinações. De David.

    Que alegria, quando me disseram:
    «Vamos para a casa do SENHOR!»
    2Os nossos pés detêm-se
    às tuas portas, ó Jerusalém!
    3Jerusalém, cidade bem construída,
    harmoniosamente edificada.
    4Para lá sobem as tribos,
    as tribos do SENHOR,
    segundo o costume de Israel,
    para louvar o nome do SENHOR.
    5Nela estão os tribunais da justiça,
    os tribunais da casa de David.
    6Fazei votos em favor de Jerusalém:
    «Prosperem aqueles que te amam;
    7haja paz dentro das tuas muralhas,
    tranquilidade nos teus palácios.»
    8Por amor dos meus irmãos e amigos,
    proclamarei: «A paz esteja contigo!»
    9Por amor da casa do SENHOR, nosso Deus,
    pedirei o bem-estar para ti.


    José, segurando o jumento pela corda, caminhava atento à multidão que afluía à capital teocrática, de todos os lados, a cumprir o seu dever de cidadania. Eram massas de gente. O animal podia espantar-se.
    - Maria, olha o Templo do Senhor! Que belo!
    De longe, ambos dirigiram os seus corações de justos para a morada do Altíssimo. Maria, em especial, terá cantado na sua alma o cântico dos peregrinos, do Rei David à vista da cidade: “…por amor dos meus irmãos e amigos: proclamarei: ‘ A paz esteja contigo’.

    Faltava uma jornada para Belém. José pensava em seu coração se haveria tanta gente na cidade de David como estava a ver em Jerusalém. Seria um grande problema que não tivessem lugar onde ficar. José começou a preocupar-se com isso, mas não quis dizer nada a Maria. Trataria de buscar a pensão mal chegassem. Afinal o Menino que estava para nascer era o Prometido das nações: "Então convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel" (Mateus 2.4-6).
    Deus proveria. Deus cuidaria de tudo. Deus buscaria o melhor para Seu Filho.
    José confiava. Paz. O Principe da Paz estava já ali. Aqui.E, assim, aquietava o seu coração aquele que sentia uma doce paternidade a afoguear-lhe todo o seu mundo mais intimo.
    - Maria, como estás?
    - Bem, José. Muito bem!

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